Lá estava ela na noite
Na noite a dançar
Como que para continuar a existir
O mundo dependesse de seu alegrar
Cada movimento, cada gesto
Um a tentativa de lançar fora seu pesar
E por momentos fechava os olhos a esperar
Que a música cingisse seu desalento
Ao redor, rostos e sorrisos marcados
Alegrias aditivadas
Alívios transitórios
Encenações da felicidade
E sem esperar que nada acontecesse
Enfim, tornou-se parte do espetáculo
Ah doce estranho
Ele a tomou com seu olhar e a fez protagonista
Disseste seu nome ao seu ouvido
Mas não ouvia nada e só sentia a cena
A música calou
A multidão evaporou
Parecia que conhecia todos seus anseios
E dela os foi desprendendo
Conduzindo-a numa dança suspensa
Embalada por uma música que de seu ser fluía
Mas as cortinas se fecharam
O espetáculo chegava ao fim
A noite se retirava e dava sua vez ao dia
E o amanhecer todas as ilusões perdidas recolhia
Seus pés rigidamente tocaram o chão
A sombra da felicidade se esvanecia
Porém seu coração levemente sorria
Podia ser verdadeiro
Mas o medo a fez seguir
O seguro roteiro da noite
Que não permite amanhã verdadeiro
23/4/2005
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