Em uma tarde fastidiosa mechendo em alguns papeis velhos reencontro uns versos escritos a caneta em um papel decorado perdido entre contas, documentos e outros papeis burocráticos.
Eles diziam assim:
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Se o amor pudesse de repente compreender
Toda loucura que um amor pode conter
Se ele pudesse, num momento de razão
Saber ao menos quanto dói uma paixão
Quem sabe o amor, ao descobrir a dor de amar
Partisse embora para nunca mais voltar
Mas me parece que uma prece ia nascer
Na voz daqueles que o amor mais fez sofrer
A lhe dizer que vale mais morrer de dor
Do que viver num paraíso sem amor.
(Vinicius de Moraes)
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No canto do papel um coração de menina desenhado e todo enfeitado com o nome do pretenso namorado. Me surpreendeu inusitado achado. Lembranças chegaram e se colocaram diante de mim apresentando a inocência de menina, que achava que sabia o que realmente aquelas palavras diziam. E ainda, que sabia o que era o amor. Talvez soubesse...
Procurava naquela caixa uma perdida certidão, mas achei mesmo foi uma mensagem que puder ler atravez do sentido do autor e daquela menina, que me certificava do que eu realmente procuro, mas que as pedras do dia-a-dia me dizem pra esquecer.

Formidável Zewgma!
ResponderExcluirNão por trazer um trecho de Vinícius, meu poeta predileto, mas pela sensibilidade com que você recebeu essa poesia. Choca-se com minha última obra, que você leu e comentou. Naquela época você era pura, seus "namorados" eram puros, estavam mais propensos a amar. Agora é tanto desencontro, que o amor verdadeiro e correspondido vive sempre escondido.
Um beijo!