quarta-feira, 18 de março de 2009

A saga de um perfil no Orkut

Quem sou eu:
Eu sou...

Bem, é um pouco difícil definir meu ser em palavras, estas que sempre parecem estar contra mim. A tarefa se tornou difícil, pois sempre quando me defino, nunca acho que consigo transmitir o que sou. Foram várias as tentativas.
A primeira de todas foi a descrição convencional. Então comecei: eu sou amiga, sincera, legal... Essas coisas, sabe. Nem cheguei a publicar. Não são somente as qualidades que atribuo a mim que definem meu ser. Meus defeitos são tão parte de mim quanto minhas qualidades. Além disso, o convencional não me agrada.
Pensei então que tal questão deveria ter uma reflexão um pouco mais profunda para gerar uma definição que desse conta dos meus conflitos, meus defeitos e de minha visão frente ao mundo como mulher e ser humano. Logo tentei me definir mais completamente. Nessa nova iniciativa percebi que todas essas coisas mudaram com o tempo de acordo com as experiências que tive e com as pessoas que encontrei na vida. Compreendi assim que não poderia me definir tão completamente, pois percebi que fui, que estou sendo e que serei. Mas em meio à constatação dessa constante mudança notei alguns contornos que sempre me acompanharam, e que também via em meus pais, mesmo que não concordasse muito com a idéia. Tentei até mesmo enumerar minhas dificuldades, mas essa descrição ainda não parecia definir meu ser.
Pensei então que o que define as pessoas é a forma como elas percebem o mundo, as pessoas e os sentidos que dão a vida. A tarefa neste momento se tornou muito mais difícil, e me pus novamente a pensar. Assim vi uma simples definição se tornar gigantesca, pois além de pensar em meu ser, tinha que definir todas as coisas que considerava importante no mundo. Isso não poderia vir em prosa, mas em versos. Porém não sou poeta. Já disse que minha relação com as palavras não é muito harmônica. Então recorri a algumas autoridades. Escolhi escritores com os quais me identificava e os poemas e escritos que pareciam ter sidos feitos por encomenda minha.Abandonei então a descrição. Coloquei poemas e frases que faziam muito sentido para mim. Mas mesmo assim não fiquei satisfeita, pois cada dia que lia parecia que não condizia com a paisagem do meu ser. Então troquei varias vezes os textos, os quais, em sua maioria, falava de busca, aprendizado, amizade, visões.
Contudo continuava insatisfeita, pois também não era o suficiente para definir o meu ser, pois a arte permite múltiplas interpretações. Logo cada pessoa poderia me entender de forma diferente uma das outras.
Novamente me pus a pensar e voltei a questão inicial. Quem eu sou? Debrucei-me na essência da questão. Qual a sua finalidade?
Como que num estalo percebi enfim o que era óbvio. Isto é apenas uma vitrine na qual nos expomos. Aff!
Ah, então eu não deveria me definir, mas construir uma imagem minha preferencialmente positiva. Deveria utilizar para tanto algumas técnicas de marketing pessoal. Ver todos os atributos positivos que combinassem comigo.
Isso nem um pouco me agradou. Utilizar princípios mercadológicos, superficiais, nos quais a única finalidade é o convencimento, não me agradou. Nem cheguei a escrever. Acredito que as relações não devam ser construídas sobre lógicas tão mesquinhas, muito menos sobre ilusões. Agir da mesma forma dos que não te agradam é ser um deles.Mas então como demonstrar meu ser para as pessoas através de palavras?
Talvez seja melhor considerar as minhas ações. Não dizem que somos o que fazemos? Mas isso é simplificar demais, e simplificações provocam equívocos.
Que tal me julgar a partir dos que os outros pensam de mim? Pior ainda... Pois não importa como somos ou o que somos, tudo vai depender se gostam ou não de nós, se simpatizam ou se se identificam com a gente. Se uma pessoa não gosta de outra, não importa se não haja motivos, eles serão criados. Porém, quando uma pessoa se identifica com a outra, os defeitos, quando latentes, se tornam tempero ou mesmo adereço.Cansada já vi que tudo isso não serve de nada e pode até ser tomado como piada. E não proporciona conhecimento, no máximo autoconhecimento.
Depois de toda esta indagação me pus a rir de mim mesmo que ao buscar me definir não vi o que era simples.
Sou apenas Zewgma, não uma, mas a Zewgma. Também reconhecida pela imagem da foto que pus no perfil. Essa é a melhor definição que resume quem sou.
Depois desse trajeto todo poderia me definir como busca, mas todo ser humano é busca. Mesmo iludido de certezas e sem consciência disto.

13/2/2006

Nenhum comentário:

Postar um comentário